Venezuela, entre gordos e desnutridos, um desafio para nutricionistas

Postado em 18/11/2013 |


Maus hábitos alimentares, entre eles o consumo excessivo de refrigerante e frituras, fazem com que muitos venezuelanos estejam gordos ou desnutridos, dois problemas enfrentados em países ricos e pobres e que se tornaram um desafio para as políticas públicas.

Após anos de investimento social e aumento das rendas mais baixas, as crianças venezuelanas não morrem de fome, mas são vulneráveis a sofrer doenças por se alimentarem mal e podem esconder, atrás de uma boa aparência, grandes carências nutricionais.

Nas áreas populares do país caribenho é raro ver alguém comendo frutas ou vegetais, e há outro lado, preferência pelas farinhas refinadas e frituras. É comum as crianças tomarem café, um estimulante que inibe a absorção de ferro e cálcio, e as proteínas quase não são consumidas.

O tema da alimentação foi um ponto de honra para a chamada "revolução bolivariana" realizada pelo presidente Hugo Chávez (1999-2013) e que continua agora com o atual chefe de Estado, Nicolás Maduro, que criou inclusive programas sociais para vender alimentos abaixo do preço.

Em junho, a Organização Mundial para a Agricultura e Alimentação (FAO) premiou a Venezuela por seus avanços na luta contra a fome, criticada pela oposição que afirmaa que no país se come mal e há escassez de alimentos indispensáveis como leite, frango e carne.

Profissionais da nutrição dizem que apesar de o venezuelano ter acesso aos alimentos, por estar em um país em desenvolvimento sofre das questões próprias da pobreza e outras que afetam o Primeiro Mundo: desnutrição e obesidade.

Essa "dupla carga" foi abordada pelos especialistas que participaram do Congresso Internacional de Nutrição e Saúde recém-realizado em Caracas e que mostrou que nas grandes cidades do país existem mais pessoas com sobrepeso e no interior mais afetados pela desnutrição.
A nutróloga Marianella Herrera afirmou à Agência Efe que apesar do prêmio dado pela FAO à Venezuela, "a desnutrição não foi erradicada".

Os últimos dados oficiais anunciados pelo Instituto Nacional de Nutrição (INN) em 2009 após a análise de 10 mil crianças e adolescentes em todo o país. O estudo revelou que 20% da população entre 5 e 16 anos sofre de sobrepeso e obesidade e 16% de desnutrição.

Herrera destaca que estes dados já refletiam o duplo problema e fez menção ao estudo apresentado pelo Centro de Estudos do Desenvolvimento da Universidade Central da Venezuela (CENDES-UCV), no Congresso de Obesidade Infantil, realizado no Texas em 2012, sobre "alteração de gordura corporal" em meninas em situação de abandono.

"É interessante que muitas destas meninas que avaliamos em diferentes estudos têm um peso ou um índice de massa corporal normal e quando vamos a fundo na composição corporal, descobrimos que a gordura está alterada", diz a também pesquisadora do CENDES.
"Então é uma criança que parece normal e até fraca, mas tem uma proporção de gordura muito maior", diz.

Além disso, a investigadora destacou que no país há pessoas obesas com "fome oculta", uma classificação que se aplica àqueles que não estão desnutridos, mas têm déficit de nutrientes.
A pediatra e especialista em nutrição Mercedes López explica que apesar de já não ter desnutrição "aguda", pois "já não se vê crianças morrendo de fome", é possível observar que as crianças "ficam doentes até seis vezes por ano por uma desnutrição crônica e que são mais baixas que o normal para a idade".

A especialista, que também faz parte da equipe de pesquisa da Fundação Bengoa, que estuda a formação das povoações pobres da Venezuela em matéria de nutrição, mencionou uma pesquisa da Universidade Simón Bolívar publicada em 2011 em que foram analisados povoados próximos a Caracas.

Segundo a pesquisa, as comunidades periurbanas dos municípios de Baruta e El Hatillo que vivem em bairros não muito bem estruturados, foi encontrada uma porcentagem de baixa nutrição que variava entre 40% e 60% das crianças "e isso é grave", além de 90% de obesidade em adultos, sobretudo em mulheres.

López também disse que há estudos feitos pela Fundação Bengoa que falam de uma "diferença notável" nos níveis de nutrição entre os habitantes de cidades grandes como Caracas ou Maracaibo e os que vivem em povoados do estado Apresse (no sudoeste do país).
"Nas comunidades pobres de Caracas ou Maracaibo, prevalece o sobrepeso, mas também se vê desnutrição, nas comunidades pobres de Apresse encontramos até 34% de desnutrição", apontou.

fonte: Agencia EFE

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