Ultraprocessados substitui comida de verdade na Europa

Postado em 06/02/2018 |

06/02/2018

Metade dos alimentos adquiridos pelas famílias do Reino Unido são ultraprocessados, produzidos em fábricas com ingredientes e aditivos industriais inventados por tecnologistas de alimento e contêm pouca quantidade de frutas, hortaliças, carnes, peixes usados para cozinhar refeições frescas em casa.
 
Pesquisas de especialistas em nutrição global revelam a evolução da nossa comida: de alimentos frescos a industrializados. A “comida de verdade” tem sido substituída por lanches salgados e cereais açucarados, pães e sobremesas produzidos industrialmente, comidas prontas, carnes reconstituídas e bebidas açucaradas.
 
O estudo realizado com dados de 19 países europeus foi publicado este mês em uma edição especial da revista Public Health Nutrition. Ele mostra que famílias do Reino Unido compram mais alimentos ultraprocessados do que qualquer outro país da Europa, o que corresponde a 50,7% da dieta. A Alemanha vem em segundo lugar, com 46,2%, e a Irlanda em terceiro, com 45,9%. Embora os números não sejam diretamente comparáveis - extraídos de pesquisas nacionais realizadas de forma diferente e em anos diferentes - a tendência é clara.
 
Os dados do Reino Unido são provenientes da Pesquisa de Custos de Vida e Alimentação 2008, a última disponível. Os alimentos são classificados em quatro grupos. Mais de um quarto dos alimentos adquiridos (28,6%) eram in natura ou minimamente processados, 10,4%, ingredientes culinários, como óleos vegetais, e 10,2%, processados, como queijos. Alimentos ultraprocessados corresponderam a mais do que todos os grupos combinados.
 
O professor Carlos Monteiro, da Universidade de São Paulo do Brasil, que liderou o grupo de pesquisa, relatou ao Guardian sua profunda preocupação sobre a relação entre alimentos ultraprocessados e obesidade e outros problemas de saúde.
 
Alimentos ultraprocessados parecem atrativos e são elaborados com sabor doce ou salgado,  o que nos faz querer mais, mas não há nada de nutritivo neles, disse Monteiro.
 
Por exemplo, “comer cereais no café da manhã... Se você come Froot Loops, mais de 50% é açúcar”, ele disse ao Guardian, e “não há fruta...”
 
“Alimentos ultraprocessados são essencialmente novas criações da indústria de alimentos com ingredientes de baixo custo em um produto muito atrativo.”
 
Essas comidas são feitas com ingredientes baratos e produzidos em larga escala, disse  Monteiro. Queijo ultraprocessado é feito com leite em pó e aditivos, por exemplo. Alguns macarrões instantâneos não são macarrões.
 
“Se você come macarrão instantâneo - essencialmente baseado em óleo, amido e aditivos - você não está comendo macarrão de verdade. O mesmo acontece com nuggets de frango – quando você tem esses nuggets ultraprocessados, você não está comendo frango de verdade”, ele disse.
 
Há dois problemas relacionados a isso, ele disse. Pessoas estão perdendo não só vitaminas e minerais, mas também compostos bioativos encontrados em alimentos in natura, como fitoestrógenos e fibras.
 
“Então você come sal, amido, açúcar, gorduras e todos esses aditivos. Todos os dias nós consumimos uma quantidade de novas substâncias, como saborizantes, corantes e emulsificantes, e não temos ideia de quais podem ser os problemas causados por esses itens”, ele disse.
 
A maioria das regulações para o uso de aditivos e saborizantes são do século passado e estão focados em se causam ou não câncer. Outros efeitos cumulativos de consumir essas substâncias industriais não são conhecidos.
 
“A resposta honesta é que não sabemos aonde estamos indo”, disse Monteiro.
 
Jean-Claude Moubarac, professor de nutrição da Universidade de Montreal no Canada, que trabalha com Monteiro, disse que eles encontraram que alimentos ultraprocessados “têm muito baixa qualidade nutricional, em termos de quantidade de açúcares livres, sódio e gorduras saturadas, e tendem a ter muito pouco de proteínas, minerais e vitaminas”. Eles também são altos em calorias.
 
A pesquisa deles mostra que a máxima repetida constantemente pela indústria de alimentos e pelos políticos que “não existem comidas ruins, só muita comida”, é errada.
 
“Quando nós comparamos alimentos ultraprocessados ao resto dos alimentos, nós vemos grandes diferenças na qualidade nutricional”, ele disse. “Nós estamos recomendando às pessoas limitar ou evitar os alimentos ultraprocessados, porque eles têm muito baixa qualidade nutricional.”
 
Comer biscoitos, batatas fritas ou tomar bebidas a base de cola ocasionalmente não faz mal, ele diz, mas essas comidas são desenhadas para nos fazer querer mais. “está além do gosto. Estamos entrando no mundo do desejo,” ele diz. Eles também são baratos e estão disponíveis globalmente. Os ingredientes principais são farinhas refinadas, óleos e gorduras baratos, açúcares, amido, proteínas isoladas e sal.
 
“Nós estamos nos movendo cada vez mais para longe das comidas que nos nutrem”, ele disse.
 
A professora Corinna Hawkes, diretora de políticas de alimentação da Universidade da Cidade de Londres e uma das principais pesquisadoras da unidade de política de obesidade financiada pelo governo, concorda que devemos tentar reduzir nossa dependência de alimentos ultraprocessados.
 
Ela cita exemplos da Pepsi’s Walkers Sunbites, que vende pipocas como lanches integrais. “Isso é uma reformulação clássica. Eles são cozidas com grãos integrais e óleos vegetais. Eu acho que, mesmo assim, não adicionam nenhum valor nutricional à dieta. Coma uma pedaço de pão integral se você quer um lanche saudável.”
 
Mas, ela disse, nós precisamos mudar nossa cultura alimentar e as crianças precisam aprender a aprender a gostar do sabor dos alimentos reais, incluindo aqueles amargos.
 
“Como sociedade,  nós  temos responsabilidade de estimular crianças a aprender a gostar de alimentos saudáveis. Todas as mulheres grávidas, cuidadores(as), avôs, que dão guloseimas devem ter uma educação adequada sobre isso”, ela disse.
 
As indústrias de alimentos disseram que os produtos podem ser consumidos como parte de uma dieta saudável e que têm feito mudanças para garantir escolhas saudáveis aos consumidores

fonte: The Guardian/Sarah Boseley

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