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AL e Caribe precisam melhorar monitoramento de SAN
Postado em 15/05/2016 | fonte - FAO

No último dia 10 de maio, comunicado da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura - FAO afirmou que, para erradicar a fome e a má nutrição na América Latina e no Caribe e avançar rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), é necessário melhorar os sistemas de monitoramento e avaliação da segurança alimentar e nutricional. Tais sistemas reúnem informações e dados que servem de base para que os países construam ou melhorem suas estratégias e planos de segurança alimentar e nutricional.
 
Nos últimos dez anos, países como Brasil, Colômbia, El Salvador e Uruguai criaram sistemas que organizam e processam informação de setores agroprodutivos, saúde e segurança alimentar para convertê-las em dados para a tomada de decisões de políticas públicas. Um novo estudo da FAO analisou os sistemas de monitoramento e concluiu que seus vínculos com as políticas nacionais em geral são frágeis.
 
“Existe uma grande fragilidade na articulação entre as instituições que implementam as políticas de luta contra a fome e os sistemas criados para seu acompanhamento”, explicou Emma Siliprandi, coordenadora do estudo.
 
De acordo com a FAO, monitorar e avaliar as ações dos governos e contar com dados mais atuais sobre segurança alimentar são aspectos essenciais para erradicar a fome. “Isto requer poderosos sistemas de informação e com uma forte conexão com as políticas públicas, especialmente tendo em vista os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que representam um grande desafio em termos estatísticos”, disse Siliprandi.
 
Recomendações do estudo
 
Na maioria dos países analisados pelo estudo é necessário um maior compromisso no âmbito nacional para que a informação gerada pelos sistemas de monitoramento seja utilizada pelos setores envolvidos na luta contra a fome.
 
A primeira recomendação da FAO é que os sistemas de monitoramento tenham um claro marco conceitual, para evitar problemas como o uso excessivo de indicadores ou que seja medido um mesmo aspecto da segurança alimentar de formas diferentes.
 
Um segundo aspecto fundamental é a necessidade de garantir recursos e pessoal adequados, uma vez que o estudo identificou uma carência de pessoal qualificado para gerenciar os sistemas analisados.
 
Divulgar os métodos e a periodicidade da coleta de dados é outro aspecto vital, já que muitos sistemas trabalham com dados desatualizados, de fontes secundárias ou de baixa qualidade e com pouca desagregação geográfica, por gênero, idade ou etnia.
 
O estudo, produzido pela Cooperação Brasil-FAO, diz que a participação da sociedade civil nos sistemas oficiais de monitoramento da segurança alimentar é ainda incipiente e, por isso, deve ser aperfeiçoada. Para isso, é necessário melhorar as relações entre as diversas instituições e setores envolvidos, fomentando a participação dos atores-chave do governo e da sociedade civil.
 
Experiências na região 
 
Entre os países da América Latina, o Brasil é o que mais desenvolveu seu sistema de monitoramento de segurança alimentar, estruturado por órgãos oficiais e com instâncias de controle social.
 
Equador, El Salvador, Colômbia e Guatemala apresentam sistemas de fácil acesso e com informação para o planejamento de ações na luta contra a fome e a má nutrição. Já o México possui um sistema avançado, enquanto países como Costa Rica e Uruguai estão desenvolvendo seus próprios mecanismos de monitoramento e avaliação.
 
A FAO tem apoiado a criação de Observatórios de Segurança Alimentar e Nutricional de caráter governamental na Colômbia e no Uruguai, e outros que reúnem o universo acadêmico de vários países.
 
Para poder cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) — o segundo dos quais busca a total erradicação da fome para 2030 — é necessário conhecer de forma real o estado de diversos indicadores relativos à nutrição, segurança alimentar e à produção de alimentos, entre outros.
 
“A única forma de avançar para a erradicação da fome, a plena sustentabilidade da agricultura e o cuidado dos recursos naturais é com informação clara e o monitoramento e avaliação constante das políticas dos governos”, disse Siliprandi.

 

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